segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sempre há um momento em que deixamos nossa máscara de lado, e nos deparamos com a verdade.



Me levanto, minha cabeça está girando, estou nauseada, meu estômago dói como se tivesse ingerido ácido sulfúrico. Estou me sentindo péssima, o resto do que já fui um dia. Olho no relógio, são apenas 3:27 da manhã. A noite não quer passar, ela me tortura. Ela quer me ver sofrer cada dia mais, se alimentar da minha dor. Me levanto e me sinto suja, como se conseguir fechar meus olhos fosse um pecado mortal, mas no fundo, bem no fundo eu sei que é. Ligo a luz e ela está,mais uma vez no meu quarto, nos pés da minha cama esperando a hora que eu confessarei meu erro. Eu sei que ela não me deixará em paz. Ela me quer do seu lado, e eu a desejo incessantemente, não sei nem o porquê de ainda recusar sua companhia. Não suporto mais viver em um mundo em que não faço nenhuma diferença, em que sou vista e tratada apenas como um mal necessário. Sinto nojo e repulsa desse lugar, e ainda mais de mim por ainda estar aqui.
  Ela me chama mais uma vez, finjo não escutar por uma, duas, três vezes, mas ela sabe que eu estou a ouvindo. Nossas conversas quase nunca são amistosas, sempre dói ouvir suas palavras, as verdades que me diz são como navalhas rasgando meus ouvidos, mas no final ela sempre se deita na minha cama e fode comigo em todos os sentidos. Ela nunca quis me machucar, ofender ou enganar, é o oposto, eu faço isso comigo mesma e ela me puxa pra realidade. Dormimos juntas no meio das lágrimas que derramei em seus pequenos seios. O que me frustra é que quando acordo ela já partiu. E eu volto pra mesma rotina como em um círculo vicioso: levanto, finjo e volto pra cama ao anoitecer, e no meio da madrugada ela volta, não sei como nem porquê ela sempre está aqui no momento em que eu me torno eu. Como um dado viciado que cai sempre no mesmo lado, temos a mesma discussão sobre mim, e por um minuto ela se torna eu e eu me sinto melhor.
 Ela quer que eu vá, e eu não quero ficar, mas não posso abandonar essa realidade paralela em que estou. Afinal, como ficaria  todos se eu não existisse mais na vida deles? São dois mundos interligados  e totalmente separados ao mesmo tempo, que são necessários para a existência um do outro. Será que, se eu fosse com ela, tudo continuaria no seu devido lugar de origem? Não posso arriscar em perder tudo, muito menos ela.  Ela não me entende, ela é uma mulher,mas a cima de tudo uma menininha. É surpreendente como uma garota tão boba, pode me ajudar mais do que eu mesma.